Por Elza Augusta. Tecnologia do Blogger.
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CROSSDRESSER - o que são essas criaturas

O FATO DE HOMENS SE VESTIREM DE MULHER NÃO TEM RELAÇÃO DIRETA COM PRÁTICAS (HOMO) SEXUAIS: A QUEBRA DE BARREIRAS RELACIONADAS A CONVENÇÕES DE GÊNERO DIALOGA COM INSTÂNCIAS DA VIDA SOCIAL E COMPREENDÊ-LAS É IMPORTANTE NA QUEBRA DOS PRECONCEITOS

Homens vestidos de mulher estão presentes há bastante tempo na literatura, filmes, conversas, piadas e momentos da vida social, como as festas à fantasia ou o Carnaval.
De modo geral, essas pessoas são representadas nesses espaços por uma certa veia cômica, sob o prisma do risível. Ao longo de minha pesquisa de doutorado com homens que se vestem de mulher ou crossdressers, pude notar que esta prática, para eles, nada tem a ver com esta ideia de cômico.
Pelo contrário, as pessoas com quem convivi ao longo de minha pesquisa levam bastante a sério a ideia de se montar. Uma crossdresser pode ser definida como alguém que eventualmente usa ou se produz com roupas e acessórios tidos como do “sexo oposto” ao seu “sexo biológico”.
Há diversas formas de praticar crossdressing, com graus variados tanto em termos de tornar a prática pública, quanto em graus de intervenção e mudança corporal.
Algumas crossdressers se montam apenas para ficar em casa, ou apenas usam um ou outro acessório ou roupa (um salto, uma calcinha, uma saia); outras se montam por completo (com roupas, acessórios, saltos, perucas e maquiagem). Tem quem conte para famílias, cônjuges e amigos, enquanto outras mantêm este lado de sua vida em absoluto segredo.
Há as que depilam o corpo todo, deixam o cabelo crescer, fazem unhas e sobrancelhas, ou apenas mascaram os traços da masculinidade quando se montam, por meio de truques que vão aprendendo ao longo de suas vidas.
A montagem das crossdressers é eventual e isso implica em entender que elas têm uma espécie de vida dupla: há a vida montada e a vida desmontada. Essas duas vidas, na maior parte dos casos, estão absolutamente dissociadas uma da outra.

* Anna Paula Vencato é professora do departamento de sociologia da UFSCar, doutoranda em antropologia pela UFRJ, mestre em antropologia social pela UFSC.

TERMOS
Crossdresser Pessoa que às vezes usa ou se produz com roupas e acessórios tidos como do “sexo oposto” ao seu “sexo biológico”.
Cd ou Cdzinha Diminutivo de crossdresser
“Se montar”/ “se vestir de mulher” Ato ou processo de travestir-se, (trans)vestir-se ou produzir-se com roupas “do outro sexo”.
Estar en femme Estar montada.
S/O (Supportive Opposite) Pessoa do sexo oposto da cd que a aceita e apoia nesta prática. Pode ser uma amiga, namorada, esposa, irmã, etc. É comum que as S/O’s sejam esposas ou namoradas. De qualquer modo, nem toda cd tem uma S/O.

Para as crossdressers, o prazer de se vestir de mulher reside no ato de parecer feminina, o que explica, por exemplo, a preferência por serem chamadas por pronomes femininos quando montadas. Todas as crossdressers escolhem um nome feminino e um sobrenome, o qual usam nos momentos em que estão en femme.
De modo geral, as crossdressers se inspiram e buscam realizar em suas montagens coisas que observam nas mulheres e que admiram ou em coisas que elas vêem nas mulheres e acham interessante. Há um grande investimento emocional e também financeiro feito por essas pessoas para se montarem.
Há crossdressers que, inclusive, investem mais em comprar roupas para o lado feminino que para o lado masculino. Algumas têm armários inteiros de roupas femininas caso morem sozinhas ou as pessoas com quem moram saibam do crossdressing. Outras guardam as coisas de se montar em uma mala ou mochila, que escondem em algum lugar da casa, do escritório ou do carro.
A produção da feminilidade – ou da “mulher” que se quer ser – aparece nos discursos como algo que tem impacto em suas vidas afetivas, tanto no que concerne a família e amigos quanto no que concerne a seus relacionamentos amorosos. Evidentemente, os impactos são diferenciados para cada tipo de relação. Nas relações com família, de modo geral, há certa política “não pergunte, não fale” ou, mesmo, um segredo sobre a prática.
Uma das pessoas com que conversei ao longo de minha pesquisa relata que, conforme colocava as maquiagens que eram favoritas, e pertenciam à mãe e à irmã, eram percebidas por elas como “mais usadas do que deveriam” e as mesmas deixavam de ser compradas.
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O post de hoje é uma homenagem à minha nova amiga Marina Treyce Martin,
crossdresser assumida, que me abriu os olhos para esse mundo diferente que merece ser conhecido e compreendido por todos.

Elza Augusta

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1 comentários:

KetMarina disse...

Agradeço e fico super feliz por ganhar mais uma amiga, e por trazer um pouco de luz a minha amiga sobre este assunto.

Beijo no Coração

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